RPG – Almirante Negro, Oficiais e Navios Fantasmas para Aparição: O Esquecimento

RPG – Almirante Negro, Oficiais e Navios Fantasmas para Aparição: O Esquecimento

Fim da Escravidão nas Terras da Carne?

Nós nem cremos que escravos outrora
Tenha havido em tão nobre País…
Parte extraída do Hino da Proclamação da República.

O Brasil é um país de dimensões continentais que cresceu nas costas da mão de obra escrava. Em 1888 a realeza assina a Lei que liberta os escravos, mas a trama republicana já estava às portas, a Inglaterra forçava o fim do tráfico, alguns Estados já haviam libertado escravos em troca de algum benefício, mas o racismo já estava implantado no povo. Baseando em estudos e ciências que visavam reduzir os que não eram etnicamente reconhecidos como brancos europeus. O índio é tido como preguiçoso por não se adequar ao estilo nocivo da ganância, enquanto o negro é visto como marginal.
A Armada Brasileira, a mais elitista das forças, segue os padrões da Marinha Inglesa, formada por oficiais (nobres, com títulos e brancos) e praças (vagabundos, mendigos, pobres e negros). Enquanto oficiais eram instruídos nas Escolas Navais da elite, os praças eram encontrados e levados à força para servirem obrigatoriamente (de 6 a 15 anos, em navios, sob pena de crime de deserção) até o surgimento da Lei do Ventre Livre e Abolição, a partir daí, a entrada na Marinha para os nascidos livres e recém libertos, era uma chance de igualdade, posteriormente de ensino gratuito e disciplina. As Forças Armadas eram uma solução ao gargalo de vagas, pois imigrantes e migrantes procuravam as maiores cidades em busca de emprego.
A Marinha começou o reaparelhamento de seus navios, com a novidade, tornou-se obrigatório levar seus homens para instrução na Inglaterra e Europa, lá os praças percebem que os castigos não existem mais e que algo está errado no Brasil, não havia respeito, não eram tratados como gente, mas como “porcos e cachorros”.
Repleta de oficiais da nobreza, praças despreparados, e uma quantidade de serviço além da capacidade da tripulação, aparecem as Escolas de Aprendizes Marinheiros que acolhem órfãos, negros e pobres. Apesar da Abolição e dos decretos que cessavam os castigos físicos (golilha, chibata, palmatória, prisão a ferros, solitária, pancadas nas mãos e costas) semelhantes aos recebidos por seus parentes escravos, os mesmos ainda ocorriam em maior número (registrando o castigo como se fossem em quantidade dentro do regulamentado) e rigor que as antigas regulamentações. A percepção da escravidão dentro de um órgão governamental foi o estopim para a Revolta da Chibata, aos gritos de “Viva a Liberdade!” e “Abaixo a Chibata!”.

A Revolta da Chibata

A gota d’água foi quando o marinheiro negro Marcelino Rodrigues de Menezes, conhecido como baiano, desmaiou ao receber 250 chibatadas diante de toda a tripulação, em formatura no convés do Minas Gerais. Desmaiou mas o castigo continuou! Depois disso o Comandante Batista das Neves, oficiais e mais seis marinheiros foram mortos. Os navios foram tomados e a Capital do país (RJ) ameaçada! O cearense Francisco Dias Martins escreveu as mensagens ao presidente Marechal Hermes da Fonseca, pedindo:

Retirada dos oficiais incompetentes que entendiam o dever não cumprido por falta de contingente como má vontade e má disposição para o trabalho;

Reforma do código imoral e vergonhoso para que desapareça a chibata, o bolo e outros castigos semelhantes (conforme a Lei);

Educar os marinheiros que não tinham competência para vestirem a orgulhosa farda;

Acertar a tabela de serviços, distribuindo as fainas diárias sem sobrecarga para cada marinheiro;

Melhor alimentação e remuneração.

Centenas destes marinheiros fizeram cursos na Inglaterra para o uso dos novos navios (Minas Gerais, São Paulo, Bahia e Deodoro), alguns sabiam inglês. Enquanto 70% dos negros da Marinha eram analfabetos e ainda eram “escravos de oficiais da marinha”. O mais velho dos marinheiros envolvidos na revolta era o gaúcho João Cândido Felisberto, que passou a ser conhecido como Almirante Negro. Caso os pedidos não fossem atendidos os revoltosos dariam tiros de canhão na cidade do Rio de Janeiro, e na primeira noite da revolta, os tiros alcançaram algumas casas onde duas crianças morreram no Morro do Castelo. Após esse evento foi feito um acordo onde os revoltosos foram anistiados, mas posteriormente a Marinha começou a desligar os perdoados. Outros marinheiros da Ilha das Cobras se revoltaram. Desta vez derrotados, alguns foram presos, torturados, desterrados ou mortos. João que não havia aderido foi preso no cais com mais dezessete em uma cela na Ilha das Cobras, seis dias a pão e água, dezesseis foram asfixiados pelo cal usado para higienizar o local, vivos daquela cela saíram dois João que internaram como louco e o gaúcho João Avelino Lira, conhecido como Pau da Lira.

A revogação dos direitos cedidos durante a Revolta da Chibata, dois dias depois de assinada a anistia, deixou marinheiros desesperados com a falta de palavra dos governantes, gerando uma nova revolta, desta João Cândido não participou, os revoltosos foram rapidamente presos e levados pelo navio Satélite, num total de 200 homens (ex-marinheiros e detentos) e 44 detentas da Casa de Correção, 11 foram fuzilados, acusados de organizarem novo motim. Todos foram levados para o Norte do país, para trabalhar na ferrovia Madeira-Mamoré (Amazônia). O navio parecia o último navio negreiro, somente 97 chegaram vivos e se submeteram ou foram vendidos no local.

João Cândido foi aluno da Escola de Aprendizes Marinheiros em Porto Alegre, em 1895, voltou para a mesma Escola como instrutor em 1903, foi artilheiro, maquinista, faroleiro, sinaleiro, gajeiro e timoneiro de diversos navios, participou de várias atividades como artilharia, torpedo, evolução, tiro ao alvo, bloqueio de portos, levantamento hidrográfico e reconhecimento de portos, foi instrutor do navio-escola Primeiro de Março, ensinando aspirantes da Escola Naval em 1908 faleceu na miséria em uma favela do Rio de Janeiro em 1969.

A oficialidade da marinha sempre foi, ao menos, uma parte das mais escolhidas da alta sociedade do Brasil; porque ela merecerá menos crédito quando afirma a imprescindível necessidade do castigo do que indignos políticos que advogam os próprios inconscientes interesses explorando uma falsa piedade pelo negro boçal que mata e rouba? Modificai a situação das guarnições: é o dever da política que legisla e do governo e depois dai largas ao humanitarismo. Enquanto a guarnição for o esgoto da sociedade, a disciplina, a ordem e a segurança têm os seus direitos e a chibata o seu lugar.
José Eduardo Macedo Soares.

O comandante do couraçado, João Batista das Neves, jantava nesse momento a bordo do navio escola francês Dugay Trouin. Quando voltou ao Minas Gerais, a pequena lancha em que viajava foi atingida por intensa fuzilaria partida dos revoltosos. Valentemente Batista das Neves tentou chamar à ordem seus comandados, mas foi trucidado pela fúria insana dos amotinados, junto com outros oficiais igualmente destemidos. A refrega começava sangrenta. A revolta foi ficando fora de controle e de repente tanto a cidade como o próprio Palácio do Catete ficaram à mercê da escalada terrorista. No mastro do navio foi içada a bandeira vermelha da rebelião.
Escritor chileno Bernardo O’ Higgins, Joaquim Edwards Bello.

 

Praças em vida Comandantes no pós vida

Rio fascinado pelo espetáculo das manobras dos quatro navios de guerra pela Baía de Guanabara. Contornavam as ilhas do Viana e do Mocanguê, perto de Niterói; passavam pelas ilhas Fiscal, das Cobras e Villegagnon; algumas vezes, saíam baía afora por entre as fortalezas de Laje, Santa Cruz e São João levando medo e incerteza, diante dos poderosos canhões, para a região de Copacabana. Essa habilidade, indicava competência e chocava-se com a percepção que os marujos eram toscos e incultos, a ralé, escória da sociedade.

Historiador José Murilo de Carvalho.

 

A Revolta da Chibata

Após a primeira revolta, os militares da Marinha se entregaram e receberam anistia, o governo do Distrito Federal do Brasil no Rio de Janeiro e a Marinha do Brasil começou a expulsar os marinheiros que haviam participado da revolta. Isso causou desespero em outros marinheiros que pensaram em uma nova revolta como solução. Os Oficiais já haviam previsto esse problema e desarmaram os principais navios, mantendo os praças sob vigilância. Com tais cuidados foi fácil debelar a nova pressão dos marinheiros-fuzileiros.

Os antigos revoltosos foram incluídos no novo evento, mesmo que eles não tenham participado, alguns como João Cândido, estavam contra a nova revolta, mas assim mesmo foram presos, enquanto muitos outros foram mortos ou sumiram.

Em 24 de dezembro de 1910 foram presos 29 marinheiros e fuzileiros em duas celas que foram higienizadas com cal e água, ao secar, o cal em pó sufocou 16 marinheiros e 2 fuzileiros que morreram entre fezes e urina. João foi internado como louco, recebeu alta e passou a vida em torno da marinha, tentou entrar para a Marinha Mercante sem sucesso, passou a vida perseguido pela instituição a que dera a vida, tornou-se pescador e morreu pobre em 6 de dezembro de 1969 aos 89 anos.

Os marinheiros e fuzileiros navais lutavam contra os castigos e injustiças que os equiparavam aos escravos, esses homens amavam a Marinha de Guerra, vislumbrando nela uma forma de vida acima do que as realidades familiares alcançariam. Traídos pelo governo e por seus superiores que achavam uma afronta hierárquica dos marinheiros se rebelarem contra os maus tratos, matarem oficiais, atirarem contra a Capital do país, revelando os erros da instituição e por fim receberem anistia. Apesar do ódio contra os castigos racistas e a discriminação social do sistema naval, amavam a Instituição, o referencial patriótico e o pertencimento.

Os marinheiros e fuzileiros mortos durante as revoltas (18 presos para a morte no cal e os que desapareceram) são especialistas em assuntos do mar, como Navegação, Artilharia e Segurança, também é comum possuírem conhecimentos religiosos, musicais, linguístico e artísticos. Qualquer navio relíquia afundado na área do Rio de Janeiro pode ser utilizado por eles.

 

Os Mortos na Ilha das Cobras

Militares possuem uma hierarquia e disciplina rígida, forjada dentro de suas Organizações Militares (seus navios e quartéis de terra), submetendo-se às mais antigas Aparições do Rio, enquanto elas se mantiverem justas. Seu lugar é o mar, a batalha naval! Coordenam navios e adestram outros na marinharia.

Podemos reduzir para um terço as principais Aparições geradas no evento, usando os números conhecidos dos mortos na ilha das Cobras teremos 6 praças que podem funcionar como comandantes de navios, por sua experiência e atuação no comando dos grupos militares durante a revolta.

Apelidos: Marujos / Navais.

Arcanos: Todos, observar as variações aquáticas: Argos (• Fix Bearings, ••••• Safe Passage); Lifeweb (•• Triangulation, ••• Comrades in Arms).

Mácula: No lugar da comum apresentada pelo uso dos Arcanoi, os Marujos / Navais tem o corpo embranquecido, aparência de seco por pó de cal. Seu rosto pintado por um pó branco.

 

O Almirante Negro

João Cândido tem o restante da luta pela vida permeada por perseguição e o sonho de compor as fileiras da Armada. A morte só o inclui nas fileiras das Terras das Sombras 59 anos depois, um senhor cheio de experiência de vida. Recebido com honras de Almirante pelos companheiros de farda. Qualquer esquadra que tem João e um ou mais Marujo / Naval participante da revolta, ganha +1 em Navegação, Artilharia ou Segurança.

Apelido: Almirante Negro.

Arcanos: Todos, observar as variações aquáticas: Argos (• Fix Bearings, ••••• Safe Passage); Lifeweb (•• Triangulation, ••• Comrades in Arms).

Mácula: No lugar da comum apresentada pelo uso dos Arcanoi, o Almirante Negro enverga os uniformes sempre impecáveis de Almirante ou Cabo, dependendo do seu humor (Novas Artes e Qualidades e Defeitos baseados em World of Darkness: Blood-Dimmed Tides p.53-55).

 

Possíveis Navios Fantasmas

Os navios assombrados do Brasil são aqueles encontrados pela costa do País ou os que pertenciam ao folclore nacional e os tomados pelas Aparições regionais, alguns exemplos:

Cruzador Bahia – explodiu em 4 de julho de 1945, em treinamento no Oceâno Atlântico no Nordeste do Brasil, próximo ao Arquipélago de São Pedro e São Paulo. Ao empinar uma pipa, usada como alvo para canhões de 20mm, um dos tiros acertou a pipa e acidentalmente as cargas de profundidades na popa, consequência da falta de balaustradas que impedem que as armas sejam apontadas para o próprio navio. Sobreviventes ficaram 4 ou 5 dias sem comida e expostos ao Sol em jangadas improvisadas, alguns enlouqueceram, pularam ao mar e foram devorados por tubarões, morreram aproximadamente 336 tripulantes e foram resgatados vivos 22. Deslocamento 3.100 toneladas, comprimento de fora a fora 122,38 metros e um entre perpendiculares de 115,82 metros. Boca entre 11,89 e 11,91 metros, Calado mede 3,81 metros na proa, 4,75 a meia-nau e 4,42 na popa. Propulsão três turbinas a vapor Brown–Curtis e seis caldeiras Thornycroft movidas a óleo, Velocidade média 28 nós (52 km/h). Armamentos dez canhões de 120 mm calibre 50, quatro canhões de 47mm calibre 50 e dois tubos de torpedo de 457mm, uma metralhadora de 7mm e mais quatro tubos de torpedo de 533mm, dois canhões antiaéreos de 76mm, e sete canhões de 20mm. Blindagem de 19mm no convés e 76mm na torre de comando. Pode acomodar uma tripulação de entre 320 e 357 homens. (Revolta da Chibata).

Encouraçado Aquidabã – em 21 de janeiro de 1906, houve violenta explosão em um paiol, que o navio ao meio, matando 212 homens, sobreviveram 98. Classe Riachuelo, Deslocamento 5,029t (11100lb), Comprimento 93,33 metros, Boca 17,16 metros, Calado 5,49 metros, Propulsão vela, 3 mastros armado em Barca, 8 caldeiras cilíndricas a carvão, 2 máquinas combinadas de três cilindros a vapor 4,500hp (3,36kW), Velocidade 14.5 nós (26,85 km/h), Blindagem 178 a 280mm nas laterais do casco, 254mm nas torretas principais e na superestrutura. Armamentos quatro canhões de 225mm, quatro canhões de 140mm, onze metralhadoras de 25mm, cinco metralhadoras de 11mm, cinco tubos lança-torpedos. Tripulação de 303 homens. (Revolta da Armada).

A quase 100 metros reduziu o Gustavo Sampaio sua velocidade para 5 nós e Fock pode armar o torpedo. Atingiu o Aquidabã abaixo da linha d’água, à esquerda, na proa. O Aquidabã não chegou a afundar de todo, apenas devido à perícia dos seus marinheiros que conseguiram aterrá-lo entre a Ponta do Rapa e a Fortaleza do Anhatomirim. Mais tarde iria ser rebocado para o Rio de Janeiro. Pela primeira vez na história um torpedo havia tirado de ação um encouraçado. Este evento histórico foi mérito da marinha brasileira, tanto de um lado quanto de outro. Os observadores internacionais perceberam que a estratégia e tática naval teria que mudar. Nenhum encouraçado sozinho teria condições de sobreviver muito tempo. (…)

Serviço de Documentação da Marinha.

 

Encouraçado Riachuelo – em 1910 foi rebocado para desmanche na Europa, mas afundou durante o percurso. Classe Riachuelo, Deslocamento 5,029t (11100lb), Comprimento 93,33 metros, Boca 17,16 metros, Calado 5,60 metros, Propulsão vela, 3 mastros armado em Barca, 8 caldeiras cilíndricas a carvão, 2 máquinas combinadas de três cilindros a vapor 4,500hp (3,36kW), Velocidade 16.5 nós (30,56 km/h), Blindagem 178 a 280mm nas laterais do casco, 254mm nas torretas principais e na superestrutura. Armamentos quatro canhões de 225mm, quatro canhões de 140mm, onze metralhadoras de 25mm, cinco metralhadoras de 11mm, cinco tubos lança-torpedos. Tripulação de 367 homens. (Revolta da Armada).

Se todos esses nossos velhos navios fossem colocados em um arranjo de batalha no meio do oceano e confrontados com o Riachuelo é duvidoso que uma única embarcação portando a bandeira americana voltasse ao porto.

Hilary A. Albert, chefe do House Naval Affairs Committee.

 

Cruzador Auxiliar Pereira Cunha – em 1894 afundou em combate as forças legalistas próximo a Ilha do Engenho, na Baía da Guanabara, atingido por tiro de bateria costeira instalada no município de Niterói, que acertou o paiol e causou uma explosão. Armamentos dois canhões Witworth 32lb, um canhão Hotchkiss 47mm, dois canhões 2,5lb e um canhão Nordenfelt 37mm. (Revolta da Armada).

Cruzador Tamandaré C-12 – em 24 de agosto de 1980, no Oceano Atlântico, ao ser levado desmontado para desmanche. Comprimento de 185,42 metros, Velocidade 32,5 nós, Tripulação de 1.070 homens, incluindo um destacamento de Fuzileiros Navais. Antes da preparação para o desmonte possuía: Armamentos quinze canhões de 153mm, oito canhões de 127mm, vinte e oito canhões de 40mm, oito metralhadoras automáticas Oerlikon de 20mm, dois canhões de salva de 3 libras, Sensores. Um dos maiores cruzadores da época. (Ataque a Pearl Harbor, Movimento 11 de Novembro, Guerra da Lagosta).

Monitor Encouraçado Javari – em 22 de novembro de 1893 foi alvo de artilharia da Fortaleza de São João, afundado na baía do Rio de Janeiro. Deslocamento 3,700t, Comprimento 73,20 metros, Boca 17,70 metros, Calado 3,75 metros, Propulsão máquinas a vapor, acopladas a dois eixos, 2,500hp (1,86 kW), Velocidade 11 nós (20,37 km/h), Blindagem casco, proa, popa, torres principais 12 pol, à meia nau 7 pol, torre de comando 4 pol, convés 3 pol. Armamentos quatro canhões Whitworth 10 pol, dois canhões Nordenfelt 37mm, duas metralhadoras. Tripulação de 135 homens. (Revolta da Armada)

Monitor Encouraçado Solimões – em 19 de maio de 1892 naufragou próximo ao farol do Cabo Polonio no Uruguai, apenas 5 membros da tripulação sobreviveram. Deslocamento 3,700t, Comprimento 73,20 metros, Boca 17,70 metros, Calado 3,75 metros, Propulsão máquinas a vapor, acopladas a dois eixos, 2,500hp (1,86 kW), Velocidade 11 nós (20,37 km/h), Blindagem casco, proa, popa, torres principais 12 pol, à meia nau 7 pol, torre de comando 4 pol, convés 3 pol. Armamentos quatro canhões Whitworth 10 pol, dois canhões Nordenfelt 37mm, duas metralhadoras. Tripulação de 135 homens.

Encouraçado Sete de Setembro – em 1897 o casco foi removido da Baía da Guanabara por sr um risco a navegação. Participou da Revolta da Armada, foi capturado pelos rebeldes e abandonado encalhado entre Niterói e a Ponta da Armação, partidários de Floriano Peixoto atearam fogo no navio que afundou em frente a Ponta da Armação. Deslocamento 2.174t, Comprimento 67,07, Boca 14,18m, Calado 3,81m, Propulsão 360hp, Armamento quatro canhões Whitworth de 9 polegadas, cinco metralhadoras. (Revolta da Armada)

Cruzador Rio Grande do Sul – descomissionado em 1948 e posteriormente desmontado.

Encouraçado Deodoro – vendido ao México em abril de 1924.

NAeL Minas Gerais A-11 – desmontado.

NAe São Paulo A-12 – em desmonte até 2020.

Cruzador Barroso C-11 – vendido para desmantelamento, desativado em 15 de maio de 1973.

Os que navios poderiam entrar em crônicas de duas formas, os que afundem perto poderiam ser coletados pela Necrópole do Rio de Janeiro e os de longe por outras Necrópoles ou grupos, necessitando serem recuperados (Navios Fantasma baseados em World of Darkness: Blood-Dimmed Tides p.57-59 e Sea of Shadows p. 90).

 

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World of Darkness: Blood-Dimmed Tides p. 5-7

E o Mar Devolverá os Seus Mortos

Comandante Jaime Rodriguez, Guarda Costeira dos EUA, odeia o mar. É um sentimento horrível, ele sabe, para um homem em sua posição, mas ele nunca sentiu nada além de ódio e desprezo – e, sim, mais do que um pouco de terror – pela coisa que define sua existência. Em uma noite como essa, ele quase pode imaginar que o mar devolve o sentimento.

O USCGC Thetis, navio de Rodriguez, atravessa obstinadamente as ondas do Caribe com 7,60ms a 26km/h, uma excelente velocidade a ser alcançada em alguns dos piores climas da década. Ela é uma boa embarcação, 82,3mts de aço Pittsburgh sólido, e os 103 homens e oficiais de sua tripulação são alguns dos melhores da Guarda Costeira, certamente os melhores com quem seu capitão já serviu.
Rodriguez não dá a mínima para isso agora. Ele preferia estar em qualquer lugar, mas está ali. O olho da sua mente ainda mantém a última imagem meteorológica do satélite recebida antes que um raio explodisse para o inferno o mastro principal de comunicações e desaparecesse. Não há um trecho de mar claro por uns bons 370kms em qualquer direção. Rodriguez pode imaginar a situação nas Bahamas, em Keys, no sul da Flórida: êxodos em massa para longe da costa, famílias amontoadas em banheiros ou porões… esposas e filhos e pais rezando para que sua tripulação volte. Não pense sobre isso, ele diz a si mesmo.

O capitão se afasta do corrimão, desencaixa sua linha de segurança e volta para a ponte da Thetis. De volta ao trabalho. “Imediato, situação?

O oficial executivo da Thetis é o Capitão de Corveta David Jordan. Ele é imediato de Rodriguez por mais de uma década e desenvolveu uma parceria estranhamente tranquila. Jordan olha da mesa de mapas para encontrar com seus olhos os de seu capitão, e diz Capitão, estamos verdadeiramente bem fodidos.

Rodriguez acena com a cabeça e lança um olhar para a tripulação da ponte. Não, disso eu sei. Mas não diga dessa maneira. Moral.

Jordan limpa a garganta. “Grupo de controle de danos quase terminou de improvisar uma antena de rádio temporária. Ainda temos a localização pelo GPS de nossa posição e o alvo ainda está transmitindo. Se o Bom Deus quiser e as águas não subirem mais alto,” um canto de sua boca se encolhe com um sorriso irônico, “nós chegaremos nela em mais meia hora.

O alvo. Don Diego Santiago, um velho cargueiro espanhol cujo capitão não leu ou simplesmente ignorou os boletins meteorológicos que gritavam para todos os sensatos capitães de navio no Caribe para dirigirem-se ao porto mais próximo. Quatro horas atrás, Thetis estava a cinco minutos de ancorar em uma enseada abrigada das Bahamas quando o pedido de socorro do Santiago chegou. Uma junção no porão para a frente do cargueiro, remendada muitas vezes em vez de ser substituída em doca seca, tinha se partido e água estava entrando por um corte de 91cms no casco. Em mares mais calmos, o navio poderia ter sido capaz de tornar a República Dominicana ou Porto Rico sozinho. Neste temporal, é um lance de moeda para saber se Thetis chegará à Santiago a tempo de tirar a tripulação antes que ela afunde.

Imediato, pegue um colete e uma linha de segurança. Vamos inspecionar essa antena.

Jordan arqueia uma sobrancelha, mas ele segue Rodriguez de volta para o convés de meteorologia, parando para puxar uma capa de chuva laranja. Ele prende a extremidade livre de sua linha de segurança no corrimão e dá um puxão experimental – há muito tempo ele aprendeu o ponto de vista de segurança de Rodriguez.

Assim que a porta da ponte se fecha atrás deles, o capitão vira-se, passando a mão pelos cabelos. “O quanto estamos mal, Dave?

O Imediato considera por um momento. “A equipe está um pouco assustada com a perda da comunicação, mas eles não estão com muito medo da tempestade. Muito focados em tirar a tripulação da Santiago agora. Assim que façamos e saiamos dessa porcaria, eles podem começar a se preocupar um pouco mais, mas eu não acho que vamos ter problemas sérios.

E o navio?

Bem, fique contente por termos descido o Dolphin de volta a Nassau. Entre o vento e os poucos surtos que vieram sobre o convés de vôo, nós teríamos perdido qualquer corrente de amarração que poderíamos colocar em um helicóptero, e de jeito nenhum ela estaria voando agora mesmo. Além disso, parece que perder a maior parte do mastro de comutação era inevitável – fadiga de metal que estava nos registros de manutenção de três meses atrás.” Jordan fez uma pausa por um momento, franzindo a testa. “Como você está aguentando, Capitão?

Indo de três em três, Rodriguez disse. Ele se acomoda para uma careta que pensa ser um sorriso. “Tudo bem, Dave. Defendendo a tradição familiar de serviço corajoso no mar.” E morrendo nisso. Vovô lutando no meio do caminho, papai salvando um tanque na costa do Maine… e desculpe minha bunda procurando um navio cheio de idiotas no meio do furacão Harry. Mais um caixão vazio. Ele vira a cabeça e cospe, limpando a boca de sal e do gosto do medo. “Vamos checar o grupo de CD.

No topo da superestrutura do navio, dois marinheiros em coletes salva-vidas e macacões encharcados se debruçam sobre uma antena temporária das lojas do navio. Uma broca alimentada por bateria reclama em protesto enquanto força um último parafuso. O líder da equipe de controle de danos olha para cima e faz uma breve saudação ao capitão. “Tudo feito aqui, senhor. Provavelmente não vai conseguir nada de longo alcance, mas isso deve nos dar cobertura suficiente para 9 ou 18kms.

E quanto ao radar, filho?

O marinheiro estremece. “Difícil dizer, senhor. Esse vai ser um pouco mais difícil de consertar. Não sei bem como podemos fazê-lo em mares como este. Tem alguns conjuntos de fiação expostos que precisamos redirecionar.

Rodriguez assente secamente. “Entendido. Muito bom! Vão para baixo e se sequem.

Obrigado, senhor!” O marinheiro bateu no ombro do seu assistente. “Você ouviu o capitão, vamos.

Jordan olha a antena de substituição com cautela. “Jesus, Capitão, isso parece algo que meu filho mais novo faria com um kit construtor de brinquedo.

Nestes mares?

Você está certo. Vamos sair daqui.

De volta à ponte, Rodriguez aceita uma xícara de café de um jovem segundo tenente e passa uma toalha sobre a cabeça. “Navegador, como estamos indo?

Ainda no curso das coordenadas de GPS para a Santiago, capitão. 3,7kms, ETA doze minutos.

O homem do rádio enrijece. “Capitão, eu tenho UHF e VHF de novo, apenas de curto alcance. Senhor… estou pegando algo que o localizador de direção diz que vem da posição da Santiago, mas não consigo entender. Está distorcido, relâmpago ou algo assim… isso não faz nenhum sentido, algo sobre estar sob ataque…

O sangue de Rodriguez gela. Ele pega um fone de ouvido sobressalente e coloca-o em seus ouvidos a tempo de ouvir “-ida, aqui é Don Diego Santiago para o navio da Guarda Costeira Americana. Estamos sob ataque, você pode ajudar?

O capitão se inclina sobre o microfone e liga a chave “transmitir“. “Santiago, aqui é o USCGC Thetis. Estamos a caminho de sua posição. Quem está te atacando? Câmbio.

Guarda Costeira, estamos enfurnados na linha d’água e afundando rapidamente. Você pode nos ajudar?

Rodriguez bate no console do rádio com o seu punho. “Santiago, diga de novo quem está te atacando!

Um longo momento de silêncio enquanto o operador de rádio na Santiago liga o microfone sem falar. Um som agudo de destacado vem do rádio.

-capaz de… -acado por pira- … morto me- Uma explosão de estática corta a transmissão quando algo na tempestade se torna vermelho-alaranjado. Momentos depois, um longo, barulhento som de batida ecoa através da água.

O capitão fica em silêncio por um longo minuto. “Imediato“, ele diz lentamente, “soe ‘guarnecer estações de combate’. Todos para o armário de armas por seções, e enviar dois homens para liberar a arma do convés para a ação.

Ignorando a comoção na ponte, Rodriguez pega um conjunto de binóculos amplificadores de luz e volta para o convés de meteorologia. Ele deixa sua linha de segurança para trás. Em alguns momentos, ele pensa, ser jogado ao mar será a menor de suas preocupações. O capitão leva as lentes aos olhos.

O Santiago está queimando da proa a popa, sua superestrutura é um destroço quebrado. Enquanto Rodriguez observa, dois tripulantes saltam para o oceano. Nenhum deles está usando colete salva-vidas.

Rodriguez varre sua linha de visão através da água borbulhante. Por um momento, a nave cinza-fantasma se mistura ao mar e ao céu bem o suficiente para que seu olhar passe por ela antes que sua mente perceba sua forma.

O navio é um DDE, um escolta de contratorpedeiro, destroçado há muito, uma sucata ou para ser vendido para nações do terceiro mundo. Rodriguez conhece o modelo pelos álbuns de família, fotos do serviço de seu avô no Pacífico. Ela é magra, rápida e aponta meia dúzia de armas para a de Thetis. A tempestade está diminuindo, e o capitão pode ver claramente a bandeira negra esvoaçando do mastro do navio de guerra, podendo até mesmo discernir figuras no convés e na ponte. Enquanto observa, o navio sem nome se solta com outra salva, martelando o condenado Santiago.

Nos flashes estroboscópicos de fogo das armas do outro navio, Rodriguez pode ver os rostos da tripulação do outro navio. Alguns deles notaram a aproximação da Thetis e estão se voltando para avaliar a nova chegada. Algo frio e viscoso sobe das profundezas da memória para acariciar sua alma.

Quando o capitão tinha dez anos, ele teve um pesadelo sobre o pai. No sonho, Javier Rodriguez retornou de seu túmulo frio e úmido para ficar com seu filho. Sua pele estava inchada e cinzenta, seu orgulhoso uniforme azul estava esfarrapado e rasgado, e caranguejos rastejavam para dentro e para fora das órbitas vazias de onde tinham comido os olhos. Javier abriu a boca para falar e a única coisa que surgiu foi um som rouco e áspero e um pequeno peixe. Então, lentamente: “Jaime. Ela me deixou voltar para você, filho.

Através de seus óculos, Rodriguez trava os olhos com o capitão do navio sem nome enquanto eles medem a força um do outro e ele sabe que, mesmo que seus barcos fossem igualmente equilibrados, ele não poderia lutar essa batalha.

O mar trouxe seu pai de volta para ele.


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