“O Poço” da Netflix é a representação do sistema!

“O Poço” da Netflix é a representação do sistema!

Já deu uma olhadinha no Poço da Netflix?!? Se você gostou de Coringa e de Parasita, vai adorar esse filme!

CUIDADO CONTÉM SPOILER!

O Poço (El Hoyo) é o filme do diretor Galder Gatzelu-Urrutia com uma mensagem desesperadora, nojenta e sangrenta, tem temas baseadas em Cervantes, na Bíblia e na Divina Comédia.

A temática é simples: no meio da sala existe um buraco retangular no teto e no chão por onde desce uma mesa de pedra, todo dia desce um banquete (possivelmente com o prato preferido de cada um que se encontra ali), duas luzes uma verde e uma vermelha (que dão informações) e 333 salas, cada uma com 2 pessoas (alguém somou um 666 aí?!?). Para que todos possam comer deveria haver uma repartição harmônica ou talvez cada um deveria comer apenas seu prato preferido. O problema é que a cada um mês as pessoas podem ser trocadas de sala, subindo ou descendo na hierarquia do Poço, onde as 50 primeiras salas comem abundantemente, as 50 seguintes comem restos e as outras nem isso, precisando ser “criativos” para não morrerem de fome. Caso alguém segure algum alimento depois que a mesa passa, a sala sofre com um calor ou frio imenso. A sala zero é onde são confeccionadas todas as comidas nos mais altos padrões culinários.

O ator principal Goreng (Ivan Massagué) após sua quase morte, percebe que o sistema é injusto e que o caráter individual é abalado pela fome e pela precariedade de quem vive de restos. Apenas o coletivo poderia melhorar o inferno geral em que todos são “obrigados” a viver.

As pessoas no Poço estão ali por vontade própria (como Goreng) ou por crimes cometidos (o Poço é a pena alternativa), é um local de agonia por causa dos outros seres que ali se encontram com uma visão própria do que o manterá vivo, onde vive melhor quem se adapta ao sistema, percebe as nuances do comportamento do companheiro e se adequa a quem está logo acima. Todos são prisioneiros do sistema que se retro alimenta…

Trimagasi (Zorion Eguileor) é o introdutor do personagem principal na trama, mostrando que aquela sociedade não é muito amistosa, obviamente. Cada um pode levar um objeto para o Poço, Goreng levou um livro (Dom Quixote), Trimagasi levou uma faca que nunca perde o fio.

Existem três tipos de pessoas: as que estão no topo, as que estão no fundo e as que caem.

Trimagasi

O sistema obriga que você se torne egoísta, buscando sua sobrevivência mesmo que o próximo que fica abaixo de você sofra! Já viu algo semelhante na realidade? Num momento do filme, após várias perdas, Goreng se junta ao fanático religioso Baharat (Emilio Buale Coka) e decidem quebrar a roda. O plano principal é alimentar todos os que não comem normalmente, fazendo pela força que acreditem que se todos comer ou obtiverem apenas o suficiente, todos sobreviverão até que o seu tempo de Poço acabe, além disso é necessária uma mensagem para os administradores de que eles conseguiram resolver o problema do Poço! Um dos pratos deveria retornar intacto. Até que eles encontram uma criança com fome e se deparam com outro dilema..

Como metáforas temos

Torre de Babel, onde quem está em cima não se importa nem relaciona com quem está em baixo e vice versa. Terroristas que desafiam o sistema de opressão. Uma divindade representada na administração que cede o melhor para todos. Inocentes nas piores camadas. Esperança no fundo do poço. O sacrifício messiânico para uma mudança no status quo. O inferno são os outros.

No filme queremos colocar o espectador ante os limites da sua solidariedade. Observamos que as sociedades liberais concentram as diferenças e aumentam o número de vezes que você não consegue solucionar um problema…

Existe uma solidariedade que consiste em dar a volta ao mundo todo, ou seja, que é verdadeira, que tem a ver com sacrifício de verdade para todos nós possamos viver decentemente. Estamos dispostos a fazer um caso de sacrifício por parte dos demais?

Desde o momento em que compreendemos que um produto barato conhecido por quem precede, esse débito está sendo produzido em condições laborais escravistas participantes da brutalidade do capitalismo…

Todos temos a possibilidade de fazer no mundo um poço melhor em menor escala. A través do que consumimos, por exemplo.

Vivemos em uma sociedade que consome muitos recursos finitos. Existe a ideia de que os consumos nos são permitidos. Se você não encontrar uma maneira mais humanista de organizar o mundo, poderá acabar com ele…

Se você não tem uma culpa direta, todos os recursos são parte do sistema.

Como vemos no filme, o problema do comunismo é para quem funciona e para o que é pessoal. Os homosapiens somos por definição egoístas e medrosos. Não há nada pior que uma pessoa com medo que tem poder, pois se converte num filho da puta. Nós seres humanos somos uma espécie bastante miserável e muito perigosa.

Galder Gatzelu-Urrutia – diretor

 

 

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